IC – Conceitos e Aplicação

Por Iriam Starling

ILUSTRAÇÃO

  • Imagem ou figura de qualquer natureza com que se orna ou elucida o texto de livros, folhetos e periódicos. (Dicionário Aurélio)
  • Uma ilustração é uma imagem pictórica, geralmente figurativa (representando algo material), embora algumas raras vezes também abstrata, utilizada para acompanhar, explicar, acrescentar informação, sintetizar ou até simplesmente decorar um texto. Embora o termo seja usado freqüentemente para se referir a desenhos, pinturas ou colagens, qualquer imagem, incluindo fotografias, pode ser usada como ilustração. Além disso, a ilustração é um dos elementos mais importantes do design gráfico. (Wikipédia, a enciclopédia livre – 06/06/2010).

 

Esses conceitos ou entendimentos do que vem a ser ilustração refletem a evolução da tecnologia e linguagem gráfica, ficando cada vez mais difícil de definir as fronteiras da ilustração. Entretanto, ponto em comum é o seu vínculo a uma ideia ou texto a ser transmitido, reforçando sua mensagem ou lhe dando corpo. Os meios utilizados para isso podem ser os mais variados possíveis: desenho com grafite, carvão, nanquim, aquarela, acrílica, óleo, desenho digital e até a fotografia. Há quem pense que uma ilustração só pode ser feita através de desenhos ou pinturas. Esse equívoco talvez se deva ao fato de que originalmente uma ilustração era mesmo um desenho ou pintura e só depois de séculos é que a fotografia e demais recursos tecnológicos foram desenvolvidos.

É importante fazer a distinção entre ilustração e arte simplesmente, pois essa não tem compromisso nenhum com qualquer tipo de mensagem, nem com a própria ideia do artista ao concebê-la, uma vez que podem ser percebidas de formas diferentes pelas demais pessoas. Na ilustração existe o compromisso do ilustrador com uma mensagem bem definida, e não pode haver interpretações discrepantes da mesma, por pessoas diferentes.

Qualquer imagem pode ser usada como ilustração e isso inclui as obras de arte, mas elas sempre virão atreladas a um contexto que leva os espectadores a interpretá-la de forma similar. Isso não impede que algumas ilustrações também possam ser usadas como obras de arte, em especial as ilustrações botânicas.

Esse assunto causa controvérsias em roda de ilustradores, pois muitos não diferenciam uma obra de arte de uma ilustração e fazem questão de serem chamados de artistas. Não podemos negar que o ilustrador precisa usar de criatividade e de técnicas destinadas a tornar seu desenho mais agradável ou mais atraente. Muitos ilustradores também têm formação artística e usam todo seu conhecimento em favor da estética. Podemos dizer, entretanto, que, sendo ou não considerada arte, a ilustração surgiu para dar um “recado” e seu entendimento deve ser o mesmo, para todas as pessoas que a visualizam e não podem ser interpretadas livremente em seu contexto original.

 

ILUSTRAÇÃO CIENTÍFICA

A Ilustração científica tem o enfoque na riqueza e precisão da informação visual e é usada em trabalhos científicos, pesquisas e ensino, além da divulgação da ciência de modo geral. Há quem associe a ilustração científica a um desenho realista ou hiper-realista, mas ela pode ser bem simples, até mesmo esquemática, embora também possa ser muito elaborada, retratando detalhes em imagens realistas ou hiper-realistas. Devido ao rigor técnico exigido, muitos profissionais costumam se especializar em uma das modalidades de ilustração científica. Embora os modelos biológicos e ambientais (como a botânica, zoologia, paleontologia, arqueologia, entre outras) sejam mais comumente representados, a ilustração científica pode englobar diversas profissões ligadas ao desenvolvimento tecnológico, como física, química, astronomia, etc.

 

ILUSTRADOR

É todo artista plástico, desenhista ou artista gráfico que se utiliza da ilustração como meio de vida, sendo especialista no assunto e dominador do ofício.

A formação de um bom profissional em ilustração científica é um processo lento e depende tanto da prática quanto de estudos rotineiros. Aqui não basta ter “talento” ou “dom”. Além de saber desenhar, é também necessário habilitações em fotografia e informática e conhecimento básico sobre a ciência a ser ilustrada. É bom que o ilustrador científico também goste de ciências e de estudo ou mesmo de pesquisas. Um ilustrador completamente leigo em botânica, por exemplo, certamente terá dificuldade em entender o biólogo que lhe encomendar um desenho. Em geral, as categorias profissionais tendem a um linguajar e vocabulário próprios que deixam os leigos aturdidos. Para fazer uma ilustração científica é necessário ser tão metódico e observador quanto um cientista: analisar atentamente o objeto a ser retratado, elaborar esboços evidenciando formas e proporções em ângulos e cortes variados, fazer registro de sua textura, volume, características e origem. Ao mesmo tempo, esse tipo de desenho também requer beleza, plasticidade. O ilustrador deve combinar o apuro técnico com a estética.

 

ÁREAS DE APLICAÇÃO

A ilustração científica é utilizada em livros didáticos, dissertações e teses de mestrado e doutorado, periódicos científicos em geral e em material publicitário de empresas que atuam no meio científico e acadêmico.

A apresentação do conhecimento das ciências naturais está intimamente ligada à ilustração nas exposições oral e escrita, na mídia convencional e eletrônica, no meio físico e magnético. Do fundamental ao terceiro grau e à pós-graduação, as publicações didáticas e científicas da área biológica apresentam uma profusão de imagens. Uma boa representação gráfica pode substituir páginas de texto, resumindo a descrição e conferindo vigor à apresentação oral ou escrita.

Se no passado as ilustrações eram preteridas devido à falta de fidelidade com os originais e com a natureza, um livro de ciências naturais hoje não sai das prateleiras sem um conjunto de primorosas ilustrações, que enchem os olhos dos leitores.

As ilustrações médicas têm um vasto campo de aplicação. Além da medicina, fisioterapia, enfermagem e profissões correlatas, um bom ilustrador médico pode atuar nas áreas de paleontologia, antropologia e até mesmo na zoologia, em especial quando se estuda anatomia comparada.

A despeito da ampla aplicabilidade da ilustração científica, ainda nos deparamos com um mercado de trabalho reduzido e pouco atrativo financeiramente, no Brasil. Aqui não existe a profissão de ilustrador e isso é outro fator que dificulta muito a formação de um ilustrador científico. Embora não haja uma estatística sobre os profissionais ilustradores no Brasil, um considerável percentual de ilustradores científicos tem curso superior na área biológica, sendo a maioria na botânica e na zoologia. Poucos se voltam para a área médica, pois o conhecimento mais profundo é, muitas vezes, necessário para elaboração do desenho de uma nova técnica cirúrgica ou de um detalhe que não dá para ser fotografado. Os desenhos anatômicos são mais comuns, por conta da ampla variedade de fontes de consulta, entretanto a ilustração médica não se resume em anatomia.

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